terça-feira, 7 de julho de 2015

Meus olhos não querem ver você chorando
Andando pelas ruas...perambulando 
Fazendo viagens infelizes
A volta é sempre dura
Você continua nas ruas
Com fome...com medo
Corroendo o nariz
Meus olhos não querem ver você correndo pra fugir
Das balas que voam pra ti
Até te atingir
Você é alvejado e cai
Agora estendido no chão é largado
E seu sangue tinge as ruas infectas deste país
Se sobreviver...você irá mesmo assim morrer cedo
Pois seu futuro foi traçado
Nos grandes salões enfeitados
Que aplaudem de pé quem um dia jurou
Te proteger
Garantir que você pudesse ser gerado e viver
Dignamente como cidadão
E um dia exercer seu papel
Elegendo quem ganhará muito
Pra garantir
A Ordem e Progresso
Desta linda Nação
Meus olhos se negam a ver
Você crescer feito bicho
Sem instrução
Percebo que me ceguei
Você cresceu
Hoje já vota
Mesmo sem saber em quem
Já compra bebida pro seu consumo
Fuma o que quer e o que não deveria
Pode até organizar passeatas sem razão
Já rouba
Já mata
Me pergunto quem agora é responsável por ti?
Meus olhos não querem ver
Meus ouvidos não querem ouvir
Mas hoje já sei que você
Poderá responder por tudo que fez ou faz de errado
Só queria saber se é apenas tu o culpado
Qual a pena dos verdadeiros culpados
Por ter te criado
Feito gato
Feito bicho
Por ter te privado de tudo
Até mesmo de saber que você
É apenas o reflexo desta sociedade sem lei
Sem respeito...sem amor
Hoje meus olhos não enxergam
Meus ouvidos não ouvem
Quem me responde

Quando penso em você
Sinto meu corpo todo arrepiar
E posso sentir suas mãos deslizando pelo meu corpo
Decifrando cada segredo..cada desejo meu
Você sabe exatamente como me fazer ir às Estrelas
Neste momento meu corpo todo vibra
E dançamos intensamente... e pelo nossos corpos
Escorrem o suor misturado com sal...que dá sabor ao nosso amor
Sinto teu cheiro...sinto teu pulsar
Sinto que neste momento
Estou totalmente entregue aos seus encantos
É uma mistura de dor...prazer...loucura!
E você me surpreende a cada momento
Com seu jeito carinhoso
E aos poucos vai me deixando mais à vontade...mais solta
Mais tua...
Te quero mais e mais
Não ouse me deixar
Até que nossos corpos se tranquilizem
E saciem a ânsia
E tudo volte ao normal
A realidade
Agora somos eu e você
Mas em nossos momentos
Não sei dizer quando sou eu
Quando é você
Mas sinto que simplesmente
Em nossos momentos
Somos apenas um
Nós nos amando

Brasil 
De belas paisagens
Bom em hospitalidade
Mas de povo infeliz
Que sobrevive à fome
Nasce desnutrido
Vive a ver navios
Brasil
Terra do samba
Muita gente vive na corda bamba
Enquanto se empenha o país
E ainda se canta...se dança
Se brinca de ser feliz
Brasil
Terra da liberdade
Mas o Racismo aqui
Tem de verdade
Maju Coutinho...como muitos negros neste país
Provou deste fel infeliz
Brasil
Terra da vergonha
Éis feitor
Sem cerimônias
Deste povo sem memória
Que mesmo sendo enganado
Por seus filhos bem afortunados
Continua indo votar sem saber o poder que tem nas mãos
Brasil
Quem te conhece te ama
Pois mesmo conhecendo sua fama
Arrisca em tentar mudar este país
Brasil
Ofereço a você minhas esperanças
Minha vontade de tornar você
Uma nação justa e igualitária
Onde o respeito pela Raça Humana
Nunca deixe de ser prioridade
Onde ser honesto não seja defeito
Mas obrigação
Brasil
Tu ainda respira e anseia por melhores dias
Que a ordem seja lei
Que um dia tu sejas uma Terra Fértil
De útero não estéril
Brasil
Que seus filhos sejam homens bons
Que cresçam sabendo
Que somos seres humanos
E que devemos respeitar
Esta terra
Este chão
Que um dia tu sejas uma Nação livre da Corrupção

domingo, 28 de junho de 2015




Preciso atualizar meus códigos..sinais
Preciso desfilar e pular mais carnavais
Preciso ensaiar e voltar a voz em festivais
Preciso andar descalço... pisar na grama
Pular a lama que se formou com a chuva 
Fria e forte...que trouxe ventos
Que me arremessaram a rumo norte
Preciso sentir a brisa, tocar em flores
Respirar o ar puro e sentir os pulmões se abrindo
Preciso aceitar que sou frágil e forte
Preciso aceitar que sou humana
Pessoa cheia de manhas
Preciso exteriorizar o que está aprisionado em mim
Preciso me permitir ser feliz
Pois a vida é breve...os sonhos e encantos por mais leves
Se vão e tudo volta a estaca zero
Escorrem na minha face os sentimentos que me afligem
Apertam... sufocam meu peito 
As lembranças de um tempo de paz
Agora a solidão é minha fiel companheira
Não me deixa...parece que a incorporei
Não me conformo !
Novamente acreditei que não estava só
Novamente embarquei acreditando que desta vez
Teria com quem dividir ...somar...adequar
O cálice caiu...trincou...e não tem conserto
Com os pés no chão
Percebo como foi doce ....mais foi ilusão
Habito agora o plano dos frágeis mortais
Não consigo mais tocar as estrelas
Brincar com cometas...
Flutuar em bolhas de amor
O sonho acabou
Estou novamente aqui...
Desfrutando do amargo da minha realidade